• Antônio Brocker Junqueira

A TEORIA DOS REDEMOINHOS NOS CAVALOS



Quem aí já ouviu falar sobre o redemoinho nos cavalos? Pois bem, mais do que um simples mito, esta suposta associação do redemoinho com o temperamento de cavalos, já foi matéria de estudo científico e ganhou muitos adeptos por aí - desde cavaleiros renomados até os próprios pesquisadores.


Esta crença já existia na época dos beduínos na Arábia, dos ciganos na Europa e até mesmo dos cowboys do século 40 e 50. E ainda mais hoje em dia, onde foi estudado por pesquisadores e é defendido por profissionais do mundo equestre.


Quem começou a falar e estudar abertamente este assunto, foi a educadora e autora Linda Tellington-Jones, entre os anos de 1960 e 1980. Ela analisou os resultados de um questionário enviado aos proprietários de cavalos, resultando em uma observação sobre os padrões de redemoinho e características de comportamento de 1.500 cavalos.


Somando-se a isso, a cientista animal Temple Grandin, PhD da Colorado State University, realizou uma outra e importante pesquisa pelo assunto. Seu interesse por redemoinhos iniciou quando seu assistente, Mark Deesing, que trabalhava com cavalos, começou a apresentar suas teses.


Eles optaram por trabalhar com gado, pois precisavam de um grande número de animais sem manuseio extensivo para que os resultados não fossem influenciados pelo treinamento - o gado também tem padrões de redemoinhos semelhantes aos dos cavalos.


Trabalhando em um confinamento do Colorado, eles observaram 1.500 bovinos enquanto eram contidos, um de cada vez, em uma rampa de aperto hidráulico para vacinas. Uma pessoa observou os padrões do redemoinho do animal, enquanto a outra, posicionada para que os redemoinhos faciais não fossem visíveis (para evitar preconceitos), classificou o temperamento do animal usando uma escala padronizada. "Descobrimos que definitivamente havia uma relação entre a posição dos espirais e o temperamento do gado", relatou Grandin.


Ainda na defesa desta crença, o cavaleiro americano Doug Carpenter, reconhecido por escolher verdadeiros campeões, também se utiliza dos redemoinhos quando analisa os cavalos, principalmente para compra.


Doug foi o responsável por comprar e/ou vender indivíduos de destaque como Boomernic, Campeão do Futurity da National Reining Horse Association de 1992, Smart Zanolena, Campeão do Futurity da NRCHA de 1999 e Chics Magic Potion, Campeão do Futurity da NRCHA de 2003. Sua lista de clientes inclui nomes como Clinton Anderson, Bob Avila, Shawn Flarida, Benny Guitron, Dell Hendricks e Tim McQuay.


"Comecei a olhá-los anos atrás por curiosidade, depois criei a um sistema que funciona para mim", diz ele, observando que sua combinação ideal - em termos de indicar a probabilidade de uma perspectiva disposta e treinável - é um redemoinho centrado na testa entre os olhos e dois redemoinhos correspondentes em ambos os lados do caminho do freio, "não se estendendo além do comprimento das orelhas quando estão dobrados para trás".


Ele acrescenta que em algumas linhas de cavalos, um único redemoinho centrado abaixo do nível dos olhos também é uma indicação positiva, e dois redemoinhos juntos podem estar ok - "embora não em todos os casos", adverte ele. "É como qualquer outra teoria, não 100%."


Por fim, retomando ao estudo de Tellington-Jones e analisando o que os adeptos a teoria falaram, se chega ao resultado que:


🐴 Um único redemoinho no centro da testa indicava uma natureza descomplicada, ou seja, um bom temperamento;

🐴 Um único redemoinho muito acima dos olhos - acima do centro da testa -, pode apresentar um temperamento mais difícil, resistente;


🐴 Um único redemoinho centrado abaixo do nível dos olhos indicava uma natureza inteligente, possivelmente brincalhona;


🐴 Um único redemoinho longo entre ou se estendendo abaixo dos olhos indicou uma natureza especialmente amigável e agradável;


🐴 Dois ou mais redemoinhos geralmente indicavam uma personalidade mais complicada de alguma forma.


Mas enfim, por que os redemoinhos e o temperamento do cavalo devem estar conectados de alguma forma? Acontece que os padrões de redemoinho se formam no feto em desenvolvimento ao mesmo tempo em que o cérebro está se formando:


"O sistema nervoso e a pele, que contêm os padrões de espiral, vêm da mesma camada embrionária", explica a cientista animal Grandin. "Isso pode explicar as aparentes relações entre traços corporais e temperamento."


Portanto, de alguma forma, realmente pode haver uma importante relação entre os redemoinhos e os comportamentos. Acredite quem quiser, mas até a ciência já comprovou tal possibilidade. Entretanto, até os mais crentes, confirmam que isso não pode e nem deve ser determinando na escolha ou análise de um cavalo. Eles mesmo falam que já tiveram ótimos cavalos que não seguiam os melhores redemoinhos.


📃 Informações e textos adaptados da Horse&Rider.

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